As gotas d' água caiam em meu guarda chuva, eu sentia arrepios naquele lugar, me aproximei e deixei uma carta que dizia:
“Querido,
As coisas estão indo bem, a cada dia nossas filhas ficam mais lindas e espertas, mas a cada dia querem saber na onde está o pai delas, não sei o que dizer, tenho medo de lágrimas e soluços me interromperem, e no fim acabar tudo em lágrimas.
Sua querida mãe está me ajudando nesse momento tão difícil de minha vida, quando percebo que vai chover, coloco as meninas na cama e vou para a sala, ligo o aparelho de vídeo e vejo todas as festas que fizemos e participamos, sinto uma falta enorme de sua companhia ao meu lado.
Sei que vai fazer uma semana, mas para mim ainda é bem recente a sua partida, ainda me lembro de cada momento, de cada dia antes de você partir.
A Camila um dia depois da sua partida pergunto se você ainda ia viajar conosco, não me contive chorei, os olhos delas ficaram com culpa, ela passava sua pequena mão em meus cabelos, dizendo para eu não chorar, que ela ia se comportar na viajem. Já a Lorena ela nem toca no assunto, ela cresceu e já está uma moça, seus olhos me lembram o seus, quando a chuva cai eu tento evitar olhar ela nos olhos, pois se eu os olhar, irei chorar e novamente terei de me esconder em meu quarto para elas não se sentirem culpadas.
Vou terminando por aqui, pois as lágrimas não me deixam escrever, minhas mãos tremem, saiba que eu sempre irei escrever para você !
De sua mulher e sua eterna paixão
Samantha 13/11/1989”
Quando voltei no outro dia ao cemitério a carta não estava mais lá !
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