Ela é tão linda, sua pele morena, macia, seu perfume é sentido de longe, seus olhos claros davam para enxergar de longe com os brilhos que ele proporcionava, seu cabelo nem tão liso e nem tão enrolado e não é armado, seu rosto parece daquelas bonecas de porcelana, tão delicado, tudo proporcional, tudo perfeitinho. Ela é daquelas garotas que não gosta de atenção, que prefere ter uma rodinha de pequenos amigos que pode confiar, todos achavam que ela iria ser a menina excluída, a menina que todos zuavam, que todos a xingavam, achavam que ela iria ficar pra titia, e que seria aquela velha rabugenta sem filhos com sete gatos...as coisas mudam.
Seu jeito tímida, ingenua, não me enganava, por trás daquelas mexas pretas na frente do rosto, escondia uma menina incrível, que aos poucos eu iria descobrir, só bastava uma música e sua boca se abriu e começou a cantar, todos ficaram de boca aberta, a voz era incrível, grossa, forte, acho que o pensamento de todos foi o mesmo “ Como pode uma menina tão meiga, tão delicada pode ter essa voz tão grossa?!”, ela com os olhos fechados continuava a cantar, sem desafinar nem por um minuto, todos estavam a olhando com o olhar espantado, alguns nem acreditavam que era ela que estava cantando, quando a música acabou, bati palmas, ela me olhou e levou um susto com a quantidade de pessoa que a observavam..
Os dias foram passando e aquela menina de saia branca, trança e uma blusa rosa, havia sumido, ela só andava de calça, blusa preta e cabelo solto, mas continuava tímida e ingenua...Esses dois eram seus defeitos.
As aulas voltaram, ela era aplicada, mas fora da sala não parava de cantar ou de falar, ela ria das piadas idiotas, e fazia outras piadas mais idiotas ainda, ela sempre tava alegre, não tinha medo de falar as coisas, ela era a mais concentrada nas coisas, ela presta atenção nas coisas, mesmo que fossem idiotas.
As férias chegaram, as férias se foram e nessa volta ela conheceu um menino, um menino que ia mudar a vida dela de ponta cabeça. Ele era tão...estranho, tão distante, tão quieto, seu jeito não convencia ninguém de que era homem, seu olhar era tão vago, mas a Rebeca via algo nele, que poucos viam, quando os dois conversavam seus olhos claros brilhavam mais ainda, no rosto vago dele logo se acendia um sorriso, as mãos eram tocadas, e naquele momento sabia que algo estava prestes a rolar...
Alguns dias se passaram e vi aquela meiga menina de mãos dadas com aquele estranho menino, mas algo nela havia mudado, não conseguia mais ver aquele luz em seu sorriso, ela estava estranha. Ninguém mais ouviu Rebeca cantar, alias ninguém mais a via.
Ela ficava na ultima fila, na ultima carteira, com o seu namorado, ainda continuava linda e meiga, mas não tinha mais aquele brilho e nem aquele sorriso, eu sabia que algo estava acontecendo, mas não sabia o que era. Algumas semanas depois ela veio com os olhos inchados, vermelhos, ninguém notou, ela sentou no seu lugar, e corri para ver o que havia acontecido, ela com as mãos geladas, ela tremia, na sua mão segurava algo, abri sua mão gelada, levei um susto...Ela estava...grávida. Parecia que uma parede havia caído na minha cabeça, estava tonta, sentei ao seu lado e abracei, ela não conseguiu segurar as lágrimas, ambas começamos a chorar, a aula começou e ficamos quietas no canto, ela parecia uma menininha chorando no colo da mãe, na segunda aula vi o estranho garoto indo na direção dela, senti o calor subir na minha cabeça, minha visão ficou preta e andei em sua direção, empurrei ele, não queria que ele chegasse perto dela, ele fez ela derrubar lágrimas.
Depois do intervalo ela veio de novo ao meu encontro e me abraçou, pediu para que eu ficasse com ela, conversamos, levei ela para casa dela, conversamos com a mãe dela, mas eu sabia que nada iria acontecer de ruim, as nuvens havia sumido, o sol havia aparecido, e junto aquele brilho nos olhos de Rebeca. Sua mãe, abraçou-a, e disse que estava tudo bem, e que a decisão era dela.
No outro dia ela veio em mim e disse que ia ter o seu filho, seu namorado abraçou ela por trás, ela virou, e tenho muito orgulho de escrever o que ela disse:
-Você não estragou minha vida ! Você só me mostrou que eu era muito idiota, e muito ingenua, muito tonta e você usou isso a seu favor, só que isso teve consequências, e vou continuar com isso, pois eu não vou tirar a vida de alguém, porque eu errei.
Resumindo, depois de seis meses e meio, Pietro nasceu, ainda está no hospital, é lindo, saudável, sem nenhum problema, sendo a minha felicidade, a felicidade de Rebeca, de seu irmão e de sua mãe. Mãe e filho passam bem, muito bem aliás, ela mostrou para todos que não podemos tirar a vida de alguém por causa de nossos erros, se erramos, erramos temos que sobreviver as consequências, ela sobreviveu e vai sobreviver, com um filho, sendo mãe solteira, e adolescente.
Ela para mim, não é apenas a mãe do meu “sobrinho” lindo, é uma das minhas heroínas, ela não abaixou a cabeça, ela apenas ergueu ainda mais, e mostrou ao mundo que precisamos ser fortes.
By.:Thata
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