segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Esses dias eu fiz o que eu mais gosto, observar as pessoas... I

Cada uma tem um jeito de expressar o que sente tão fascinante, o jeito que atende o celular, o jeito que fala, o jeito que olha para cada pessoa, gosto de observar isso e capturar cada emoção das pessoas e transformar em um pequeno texto.
E sexta fiqueis entada em um banco do terminal santo antônio aqui em minha cidade, e vi cada tipo de pessoa, mas só algumas me chamaram atenção, não foi o casal de duas garotas super simpáticas, e não foi o vendedor de algodão doce vestido de palhaço, mas foi uma adolescente com seu filho, e um garoto de mala, coisas simples, mas foram essas coisas simples que me chamou atenção.
A menina devia ter seus 16 anos, ou menos, cabelo na altura dos ombros, preto, seus olhos eram azuis ou acinzentados, seu rosto era perfeito para ser modelo, estranhamente magra, com aquela barriguinha de mamãe, em seu rosto mostrava o cansaço, mas não se via nenhuma linha de arrependimento, seu filho devia ter uns 2 anos, sem camisa, gordinho, uma bermuda azul e vermelha, a fralda deixava ele bundudinho, e dificultando os passos que dava, ele ia da mãe até os lixos, e depois voltava correndo dando aquela risada gostosa, sua mãe pegava ele e fazia cocegas, quando uma senhora chegou perto do banco ela levantou, pegou a bolsa que estava usando, pegou na mão do filho dela e deu o lugar dela pra senhora, e veio ao meu encontro, sentou do meu lado, o filho dela sentou no colo dela, e ele começou a puxar a blusa dela, ela entendeu o que ele queria e começou a amamenta-lo, eu para não deixa-la envergonhada virei a cabeça e comecei a digitar algumas coisas no meu celular, ela deu risada:
-Não precisa fingir que não ta vendo eu amamentar meu filho.
Fingi que não era comigo, eu estava envergonhada por ela perceber o que eu tava fazendo, olhei para ela, meio sem graça ainda:
-Eu não tava fingindo, é que eu estou esperando uma pessoa – percebi que isso soava meio falso, meio não, era totalmente falso, dei um sorriso – É que eu achei que você iria ficar envergonhada !
Ela novamente deu risada, balançou a cabeça, e pude perceber que ela tinha algumas mexas de roxo muito escuro no cabelo:
-Cristiano – apontou para o bebe- e Lívia – apontou para si mesma.
Balancei a cabeça, e disse meu nome:
-Tive ele com meus quatorze anos, e foi a melhor coisa que me aconteceu, no começo tinha vergonha, mas depois comecei a perceber que ninguém iria pagar a conta do pediatra, ou comprar comida pra ele então não ligo mais pra nada, lógico tenho um pouco de semancol, mas não tenho vergonha do que as pessoas vão pensar, ou falar, o filho é meu, não namoro, não sou noiva, nem casada, sou nova sim, mas ainda estudo, trabalho e cuido do meu filho, não tenho ajuda de ninguém, lógico meu patrão as vezes me ajuda, mas é pouco perto do que eu faço.
Percebia que quando ela falava, ela mostrava uma leveza, parecia que ela me conhecia a seculos, não ligava se eu era uma psicopata, ou uma ladra de bebes, parecia que ela queria conversar.
-Desculpa não paro de falar, é que a muito tempo não falo com alguém sobre isso – nessa hora o bebe acordou, levantou com tudo, como se acordasse de um pesadelo, ele com os olhos arregalados me olhando, eu dei um sorriso, mas acho que tenho a tendencia de assustar as pessoas, ele fez uma cara de choro, Lívia fez um carinho na barriga dele, e ele fez a cara de um cachorro satisfeito quando fazemos carinho na barriga dele.- ele tem vários pesadelos.
Olhei atrás dela e então chegou um ônibus, estava torcendo para ser o meu, não porque a conversa estava estranha, mas porque eu queria chegar em casa e escrever sobre aquela conversa estranhamente incrível, ela levantou, disse tchau, pegou a bolsa, e colocou o Cristiano no chão, ele pulava ela olhou para trás para conferir se não esqueceu ou derrubou nada.
Novamente fiquei sozinha, o sol estava me deixando com dor de cabeça, eu estava morrendo de calor, fechei meus olhos para ver se melhorava, de repente percebi que o sol estava tampado, levantei minha cabeça, abri os olhos lentamente, e vi um grupo de meninos, com cadeiras de praia, malas, algumas mochilas térmicas, e de longe dava pra perceber que alguns deles estavam sofrendo com o queimado nas costas, eram mais ou menos uns cinco garotos, de 16 e 17 anos, e três garotos entre seus 18 a 20 anos, mas todos tinham o mesmo estilo, bermudão, chinelo, alguns de regatas aparentemente comprada na praia que foram, e alguns de abada do show do exaltasamba do ano passado, mas um me chamava atenção, ele carregava na sua mão direita um celular, e na outra segurava sua bagagem de rodas, seus óculos de grau era estilosinho, não era aquela coisa que está na moda, mas era perfeito para o seu rosto perfeito, sua pele branca, estranhamente branca, sua blusa era a única de manga curta, sua blusa verde, seu bermudão branco, estava de tênis de skatista, de boné de aba reta para trás, era o garoto que todas as garotas babam, os meninos se separaram e deram algumas risadas, e o que parecia mais velho pegou o celular do garoto, e começou a ler o que estava na tela, ele começaram a tirar sarro, o garoto ficou super sem graça pegou o celular e despediu dos amigos, e veio sentar ao meu lado:
-Licença posso me sentar aqui !
Nem reparei que ele estava ao meu lado, estava longe analisando seus amigos, balancei minha cabeça, sorri educadamente, e tirei minha bolsa, ele sentou com todo cuidado do mundo para não encostar sua costa na cadeira e arder, quando sentou os documentos dele, inclusive seu celular caíram no chão, ele deu risada de si mesmo, e fez uma cara de dor quando abaixou para pega-los, fui mais rápida e peguei tudo, olhei rapidamente a tela do celular dele, e vi que havia travado o celular, e vi que era o mesmo modelo que o meu, entreguei para ele:
-Muito obrigado sou muito desastrado, e principalmente quando estou com sono – abaixou a cabeça como se eu fosse dar uma bronca, ou que eu fosse julga-lo pelo seu jeito desastrado e engraçado.
-Não é só você.
Então encostei no banco e fechei meus olhos, o sol estava bem na minha cara, e comecei a viajar, comecei a pensar no que iria escrever sobre aquele dia magnifico que estava sendo, quando os meus pensamentos foram interrompidos por algumas cutucadas no meu braço:
-Moça, moça você me deu o seu celular, e ta recebendo uma ligação ! - Seu rosto vermelho, acho que era por vergonha, ou por causa do sol, ele deu um sorriso e eu senti meu rosto queimar de vergonha, peguei meu celular e vi que era uma ligação do serviço do chip, ignorei a ligação.
-Falei para você que não é o único desastrado, desligado ? Perdoe-me – peguei o celular dele e entreguei para ele- mas antes eu posso desbloquear seu celular ? - achei que estava sendo abusada ao perguntar isso, mas então ele abriu um sorriso
-Nossa eu agradeceria demais, eu não sei mexer nessas coisas, e eu fiz isso vindo pra cá, eu sentei e aconteceu isso, e eu não consigo mais desbloquear e os meus amigos ficam tirando sarro e eu fico nervoso – ele não parava de falar, sorri ao perceber isso – eu to falando demais né ? - dei uma risada baixinha- desculpa, eu fico nervoso com isso.

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